Instabilidade do Cotovelo
Conceitos-chave
A articulação do cotovelo é composta por três ossos: o osso do braço (úmero), o osso interno do antebraço (cúbito) e o osso externo do antebraço (rádio) unidos entre si por ligamentos, estabilizando a articulação. Quando existe lesão destes ligamentos, o cotovelo tem instabilidade. O tipo de instabilidade depende do ligamento lesado, variando também a direcção da instabilidade e o movimento que a causa.
As instabilidades póstero-lateral rotatória (mais frequente) e póstero-medial rotatória resultam da lesão do complexo ligamentar lateral e geralmente são causadas por um traumatismo como luxação do cotovelo. Caso a instabilidade seja medial (na região interna), a causa mais frequente são movimentos repetitivos como nos desportos de lançamento.
Podemos dividir as causas como agudas ou crónicas.
Agudas:
- Luxação pura (ligamentar, sem lesão óssea) do cotovelo.
- Associadas a certos padrões de fractura do cotovelo (tríade terrível).
- Lesão ligamentar lateral ou medial, sem episódio de luxação.
Crónicas
- Mecanismo de sobrecarga/stress ligamentar ou cotovelo do lançador (lançamento do dardo por exemplo).
- Tendinopatias crónicas do cotovelo, sobretudo epicondilite que poderão evoluir para desgaste crónico do ligamento colateral lateral.
- Sequelas de fracturas.
O diagnóstico é realizado com base no exame clínico específico e em exames auxiliares de diagnóstico como radiografia ou ressonância magnética.
O principal sintoma é a dor, que pode ocorrer dor na região externa ou interna do cotovelo. Podem também existir sintomas mecânicos como sensação de cotovelo bloqueado, um som, sensação de estalo ou clique no cotovelo ao movimento e uma sensação de que o cotovelo pode luxar.
O tratamento irá depender da severidade da lesão apresentada e da presença ou não de fracturas associadas podendo passar por tratamento conservador ou cirúrgico.
A nível de tratamento conservador, poderá passar pelas seguintes terapêuticas:
- Imobilização com gesso ou ortótese.
- Fisioterapia.
- Analgesia ou anti-inflamatórios.
O tratamento cirúrgico a realizar dependerá da localização da lesão ligamentar, da presença de lesão tendinosa ou fractura concomitante, e da manutenção de queixas após tratamento conservador. Poderá variar entre:
- Osteossintese de fractura.
- Re-inserção do ligamento lesionado.
- Reconstrução ligamentar com enxerto se impossibilidade de reparação directa.
Procedimentos
Avaliação para Tratamento
A instabilidade do cotovelo, frequentemente resultante de traumas ou lesões ligamentares crônicas, pode exigir intervenção cirúrgica quando o tratamento conservador não é eficaz. A cirurgia é recomendada após uma avaliação completa que leva em conta o tipo e a extensão da lesão ligamentar, o deslocamento potencial dos fragmentos ósseos e a presença de sintomas persistentes.
Indicações
O tratamento cirúrgico para instabilidade do cotovelo é indicado em casos como:
Instabilidade grave persistente: Quando os tratamentos conservadores falham em estabilizar a articulação.
Dor debilitante: A dor intensa que limita as atividades diárias do paciente.
Luxações repetitivas: Que indicam falta de suporte ósseo e ligamentar adequado.
Lesões ligamentares com sintomas mecânicos evidentes: Como bloqueio articular ou sensação frequente de instabilidade.
Procedimento
Há várias técnicas cirúrgicas disponíveis, dependendo das necessidades do paciente:
Reconstrução Ligamentar: Utilizando enxertos para substituir ligamentos danificados e restaurar a estabilidade articular.
Reinserção e Reparação de Ligamentos: Técnica em que os ligamentos lesados são reposicionados e fixados aos ossos originais.
Osteossíntese de Fraturas: Cirurgia para estabilizar os componentes ósseos em casos associados a fraturas.
Artroscopia: Técnica minimamente invasiva, usada para inspecionar, diagnosticar e reparar danos dentro da articulação.
Objetivos
Os objetivos principais do tratamento cirúrgico da instabilidade do cotovelo são:
Estabilizar a articulação do cotovelo: Restaurar a função normal sem dor.
Permitir uma amplitude completa de movimento: Facilitar o retorno às atividades normais.
Evitar complicações futuras: Como a artrite ou rigidez crônica.
A cirurgia busca não só estabilizar a articulação, mas também melhorar a qualidade de vida do paciente por meio da diminuição da dor e aumento da funcionalidade.