Rotura do Tendão do Bicípite Distal

Conceitos-chave

O bicípite é um músculo que se localiza na região anterior do braço e que contribui para a flexão do cotovelo e rotação (supinação) do antebraço. Após um esforço com o cotovelo em flexão pode ocorrer rotura do tendão deste músculo, que distalmente se insere na região proximal do antebraço (tuberosidade do rádio). A rotura pode ser parcial ou completa.

Esta lesão ocorre após extensão brusca do cotovelo enquanto o bicípite está contraído, por exemplo ao levantar ou carregar um objecto pesado que caia repentinamente ou mude de posição. São factores de risco o consumo de esteróides anabolizantes e tabagismo.

O principal sintoma é uma dor brusca e aguda, acompanhado de um “pop” por vezes audível na região anterior do cotovelo. Pode surgir também hematoma e equimose (“nódoa negra”) nesta região e diminuição da força muscular.

O diagnóstico é realizado com base no exame clínico específico. Podem ser necessários exames auxiliares de diagnóstico para confirmar e caracterizar a rotura, como ecografia ou ressonância magnética.

O tratamento conservador pode estar indicado em doentes mais velhos, com baixas necessidades funcionais ou em roturas parciais. Consiste em analgesia e fisioterapia e pode ter como consequência diminuição da força de flexão do cotovelo e supinação .

Na maioria dos doentes com roturas completas está indicado o tratamento cirúrgico, que consiste na reinserção do tendão na tuberosidade do rádio através de uma pequena incisão. Em situações crónicas com retracção tendinosa, pode ser necessário utilizar enxerto do doente ou de dador.

Procedimentos

Reparação do Bicípite Distal

O bicípite é um músculo que se localiza na região anterior do braço e que contribui para a flexão do cotovelo e rotação (supinação) do antebraço. Após um esforço com o cotovelo em flexão, pode ocorrer rotura do tendão deste músculo. Pode também ocorrer de forma secundária a um atrito mecânico repetitivo (prono-supinação do antebraço). O doente frequentemente sente um “estalido” doloroso no momento de carga excêntrica do cotovelo de flexão para extensão.

Indicações

As rupturas do tendão do bicípete distal, estão associadas a uma perda permanente de 50% da força de supinação do antebraço e a uma perda da força de flexão do cotovelo de 30%.

O procedimento está indicado em doentes jovens que não pretendem sacrificar a função e rupturas parciais que não respondem ao tratamento conservador. O facto da ruptura ser crónica não contraindica o procedimento que pode ser realizado com ou sem enxerto de tendão colhido de uma região dadora do próprio doente (autoenxerto).

Procedimento

Na Clínica do Ombro, o tratamento cirúrgico preferencial é a técnica de incisão única anterior, desenvolvida para reduzir a incidência de Miosite Ossificante (Ossificação Heterotópica) e Sinostose.

O coto tendinoso é identificado em posição subcutânea com retracção variável, é desbridado de forma a manter apenas tendão saudável e suturado com fios de alta resistência mantendo a sua estrutura tubular. Num segundo momento cirúrgico, o local de inserção óssea anatómica do tendão é brocado com tuas brocas de tamanhos distintos, por forma a acomodar o tendão no orifício superficial, mais largo, e bloqueá-lo através de um mecanismo de batente, proporcionado por um botão em titânio, que atravessa o orifício mais profundo.

O procedimento é realizado sob anestesia geral ou sedação, combinada com bloqueio do plexo braquial. Após o procedimento, o membro é imobilizado com ortótese de suspensão braquial, que deve ser mantida até indicação médica em contrário. O tempo de imobilização e exercícios indicados variam de acordo com o tipo de reparação (aguda/crónica).

Objectivos

Os principais objetivos da cirurgia de reparação do tendão distal do bíceps são:

 

  • Restaurar a força e função do membro superior: Reinserindo o tendão na sua posição anatómica, procura-se recuperar a força de flexão do cotovelo e de supinação do antebraço, essenciais para as atividades diárias.
  • Aliviar a dor: A reparação tende a reduzir ou eliminar a dor associada à lesão, melhorando o conforto do paciente.​
  • Prevenir deformidades estéticas: Corrigir a deformidade visível (“sinal de Popeye”) resultante da retração muscular, restaurando a aparência normal do braço.​
  • Permitir o retorno às atividades habituais: Com a recuperação da função e força, o paciente pode retomar as suas atividades laborais, desportivas e de lazer sem limitações significativas.​

A reabilitação pós-operatória é fundamental para alcançar estes objetivos, envolvendo um programa estruturado de fisioterapia para recuperar gradualmente a amplitude de movimento e fortalecer a musculatura envolvida.

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